Argentina Javier Milei
Argentina Javier Milei
Falta um ano para começar a campanha de reeleição do presidente argentino Javier Milei, a euforia de uma suposta recuperação econômica que sustentava sua popularidade não perdurou.
A argentina acreditou no candidato por parecer uma peça fora do sistema , um ousider. Um libertário do regime . A crença era a de que o mandatário favorecesse um mercado mais libertário a novos investimentos externos e controle da inflação de modo que a economia ganhasse fôlego e estabilidade contra as crises.
A produção cresceu 2% em relação ao ano anterior, provocado pelo aumento das exportações de energia e commódities, mas as importações diminuiu muito.
O Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 0,6% no segundo trimestre em relação aos três meses dos anos anteriores. A expectativa era um crescimento , pelo menos que antecedesse outubro de 2027, mas ainda não ocorreu.
Há um sentimento de insegurança entre os cidadãos sobre a estabilidade no mercado de trabalho, mesmo com a freada dos aumentos de preços aplicados por Milei.
As principais mudanças na economia Argentina após o governo de Milei.
As principais mudanças promovidas pelo governo de Javier Milei na Argentina envolvem a reorganização da economia, cortes profundos de gastos e reformas estruturais:
Milei eliminou o déficit fiscal histórico do país com forte redução de subsídios estatais, congelamento de obras públicas e diminuição de ministérios
Superávit primário: O governo alcançou e manteve superávit nas contas públicas, quebrando anos de histórico deficitário.
Desaceleração dos preços: A inflação mensal, que disparou no início do governo com a desvalorização do peso e o corte de subsídios, entrou em forte trajetória de queda nos meses seguintes, embora continue em patamares anuais elevados
Jornada e banco de horas: Permite a extensão da jornada de trabalho para até 12 horas diárias, com uso de banco de horas.
Contratos e indenizações: Simplifica e reduz custos de indenizações por demissão (excluindo 13º e bônus do cálculo) e flexibiliza regras de contratação.
Moeda estrangeira: Autoriza o pagamento de salários em diferentes moedas.
Limitação a greves: Estabelece percentuais mínimos de funcionamento (de 50% a 75%) em serviços essenciais durante paralisações
"Lei de Hojarasca"
Corte de normas obsoletas: Envio e aprovação de pacotes para revogar dezenas de leis e regulamentações antigas, burocráticas ou sem aplicação prática para destravar a economia.
Abertura comercial: Redução de tarifas de importação de insumos e desburocratização de processos aduaneiros.
Aos 54 anos, Milei assumiu a presidência na Argentina em 10 de dezembro de 2023, e pairava uma crença de que seria um libertário que resolveria a instabilidade DO PAÍS.
Considerado um político ousado, mas com muita intuição, capaz de construir força política e ao mesmo tempo que seu temperamento é imprevisível . Já demitiu vários funcionários, inclusive seu presidente de gabinete e infraestrutura além da ministra das Relações Exteriores.
O uso do cabelo bagunçado lhe rendeu o apelido de “El peluca”; e quando se apresenta em comícios e interpreta músicas do rock se afastando da formalidade da função , refere-se como “ Do contrário, não seria eu”.
Sem experiência política, foi deputado em 2021 e comentarista de tv, o que asjudou a ‘vender’ a o seu estilo enérgico e anti-sistema.
Participou da posse de Dunald Trump ao vencer as eleições.
A expectativa da Argentina era que Milei recuperasse a economia do país, que era a mais alta do mundo e estabilizar.
A inflação estava 25% ao mês, e quando assumiu o poder, caiu para 2,7% a.m. A inflação interanual chegou a 290% em Abril e em Outubro conseguiu baixar para 107% além de estabilizar o bolar e bater recordes em títulos e ações.
Com as medidas, Milei há um ano (2024) estava com a sua popularidade em alta, cerca de 53% e 56% ( Opina Argentina; Poliarquia).
Javier Milei ascendeu ao poder em apenas dois anos , sem estrutura partidária.
Na política argentina há um dogma inflexivel que um presidenciável só chegaria ao poder caso tivesse um partido político. Não foi oc aso de Milei, por ele foi visto como um outsider
Milei foi eleito pelo grupo político A Liberdade Avança ( LLA)uma coalizão formada por vários partidos, que só alcançou o status de partido nacional em setembro de 2021, quando Milei já estava no poder como presidente.
Milei enfrentou dois fatores contrários: usava as redes sociais como meio para sua comunicação com as massas e o fracasso dos partidos de Direita anteriores, kirchnerismo peronista e o macrismo.
A vitória de Milei no entando, não garantiu um Congresso alinhado aos seus projetos de governo, sendo 10% no Senado e apenas 15% na Camara dos Deputados, ou seja, a falta de uma estrutura partidária lhe faria falta, estava previsível as suas dificuldades em governabilidade.
Entretanto, Javier Milei buscou dialogar com os legisladores, em pontos comuns com os pequenos grupos e com traquejo estabeleceu acordos com os partidos fragmentados e descoordenados; transformou uma crise parlamentar em uma oportunidade.
Milei também governou instrumentando os Decretos de Necessidade e urgência ( DNU) e os vetos presidenciais, que de certa forma lhe dava uma certa manobra legislativa e por isso causou também muitos desentendimentos no parlamento.
Seu relacionamento com a sua vice é frio e já mencionou que a sua presença é indiferente e que não interfere em "nada". É como agir de forma repentina com ataques aos que pensam diferente; e pela forma como se expressa dizem que as suas falas pode provocar um tipo de violência política. Já demitiu dezenas de funcionários, o que pode causar instabilidade no seu governo.
Milei já xingou os jornalistas "corruptos, sujos, prostituídos, mentirosos, extorsivos" e de "criminosos de microfone (...) Graças às redes sociais, o privilégio de casta que vocês tiveram por tanto tempo e exerceram de forma tão violenta acabou. Portanto, aceitem que o mundo mudou para melhor e que seu monopólio das palavras acabou", publicou no x
Milei tomou uma atitude que impactou não só a Argentina mas também chamou a atenção de diversas lideranças do mundo, o cumprimento de acabar com o défcit Fiscal.
O uso da motosserra na campanha como símbolo de cortes de gastos públicos no primeiro semestre do seu governo, representou 35%, o equivalente a 5,6percentuais do Produto Interno Bruto (PIB). Ele declarou que o seu ajuste fiscal seria “o maior ajuste da história da humanidade” , a justificativa dele era que a Argentina passasse a ter mais receitas do que despesas.
O problema do ajuste fiscal na Argentina assola o país há 113 anos dos 123. E que segundo os especialistas seria a causa dos problemas constantes da inflação.
As políticas de cortes de Milei provocou uma onda de manifestações sociais e greves, outros apresentavam duvidas sobre sustentar o superávit fiscal . Entretanto o governo
resistiu , além de controlar a inflação, já que ao diminuir a emissão monetária, que provocava gastos maiores, era o que impulsionava os preços.
O ex-assessor de Milei Carlos Rodríguez diz que o governo esconde o déficit, já que usa os títulos do tesouro ( Lecap) e LEFI, que permite o adiantamento do pagamento de juros, sendo pagos apenas no vencimento do título da dívida. A dívida do juros não aparece como déficit financeiro e nem no cuasifiscal ( déficit do Banco Central).
O Banco Central saiu do saldo vermelho negativo, melhorando a imagem de credibilidade da Argentina na visão externa, o chamado risco-país. Hoje a Argentina está em seu mais baixo nível de risco em cinco anos.
A expectativa em 2022 do FMI e do Banco Mundial era de que a argentina teria um crescimento de 5%, o maior da região do mercosul.
Os argentinos pagaram um preço caro por essas austeridades, aumentando a pobreza em 11 pontos percentuais, o maior salto dos últimos 20 anos.
A pobreza aumentou de tal maneira que segundo o INDEC , Instituto Nacional de Estatísticas e Censo, 53% da população não consegue satisfazer as suas necessidades básicas e a cada dez crianças, sete são pobres. A miséria alcançou enormes patamares , como a desnutrição infantil tem sido avassaladora e comprometedora no futuro do país.
A fome tem assolado as camadas mais pobres e a desnutrição tem provocado estragos sociais, sobretudo nas crianças.
Norma Piazza, pediatra especializada em nutrição, disse à agência de notícias Reuters que algumas crianças estavam sendo hospitalizadas com problemas neurológicos e convulsões devido à deficiência de vitaminas, como a B12, algo associado à falta de consumo de carne.
Milei diversas vezes quando confrontado sobre essas questões, atribui às gestões anteriores. Mas o fato é que o custo de vida mudou a partir da desvalorização do peso, que perdeu metade d e seu valor em relação ao dólar, antes a cotação estava defasada e causou um aumento expressivo.
O mandatário chama de “honestidade dos preços” e garante que as correções econômicas está fazendo uma diminuição da pobreza.
Milei é desaprovado por quase metade da população pela sua gestão e também pelos seus ataques à educação, saúde, cultura e jornalismo e por não veem melhoras na qualidade de vida e situação aquisitiva; mas o presidente enxerga com otimismo com os índices macroeconômicos.
Na campanha eleitoral, Milei chamou o peso de ‘excremento” e quando assumiu o governo valorizou a moeda, porque viu o quanto o Banco Central estava endividado com os bancos privados. Milei não poderia dinamitar o Banco Central com toda essa dívida contraída em governos anteriores, já que causaria um efeito desastrado com o sistema bancário. Ao resolver o problema com o Banco Central e o déficit do Tesouro , que eram os mais graves, a moeda passou a valorizar. O governo deixou de emitir pesos, valorizando.
O projeto de Milei é uma dolarização “endógena”, pra tornar o Banco Central desnecessário, um livre concorrência de moedas.
O reflexo desta medida tornou o dólar caro na Argentina, aumenta o custo de vida e provoca uma instabilidade na área do turismo, que não atrai visitantes ao país há anos.
Pelo contrário, provoca um êxodo de argentinos para países próximos, como o Brasil, Chile e Uruguai.
Além de outros fatores industriais que afetam a exportação e a circulação de mercadorias para o comércio.