O tema sobre terras-raras tem tomado às manchetes nas últimas semanas e despertado a curiosidade de muitos sobre qual é o valor e a importância desse assunto que movimentam tantos atores políticos nacionais e internacionais e instituições de Estado.
Quando o assunto é terras raras, está se tratando também sobre minerais críticos, isto é, estratégicos a depender de qual tecnologia e contexto industrial no cenário geopolítico estamos tratando.
Os minerais mais cobiçados dentro deste emaranhado de interesses são o nióbio, gráfita, cobalto, lítio e níquel.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo com estimativa de 21 milhões de toneladas e que segundo o serviço Geológico dos EUA (USGS) representando 23% no mundo. O Brasil tem um grande destaque, mas ainda precisa desenvolver além da extração e o refino para concorrer no mercado internacional.
Edson Silva/Folhapress
Sem isso, o Brasil tende a continuar importando produtos de maior valor agregado enquanto exporta commódities. As maiores reservas são nióbio (94%), 16 milhões de toneladas. A segunda é a grafita (26%), com 74 milhões toneladas e níquel ( 12%), com 16 milhões de toneladas.
A lista de minerais estratégico para o desenvolvimento interno do Ministério de Minas e Energia é dividido em três grupos: 1) Usados em produtos e processos de alta tecnologia: minério de cobalto, cobre, estanho, grafita, minérios do grupo da platina, lítio, nióbio, níquel, silício, tálio, terras raras, titânio, tungstênio, urânio e vanádio. 2) Precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio. 3) Minerais com vantagem comparativa e geração de superávit: minério de alumínio, cobre, ferro, grafita, ouro, manganês, nióbio e urânio.
A Bahia mantém posição de destaque nacional como líder na produção de cromo, barita, magnesita, salgema, talco e urânio, além de ocupar o segundo lugar na produção de níquel e o terceiro em cobre. O ouro também foi destaque em 2024, com crescimento de 27% no valor da comercialização. Foto de Ulisses Dumas _ Argo Imagens Caetité - Bahia
A China refina a produção de terras raras e se destaca no cenário da geopolítica global.
O Brasil exporta muitos minerais e os consome pouco no mercado interno. Há diversas questões ambientais e sociais que envolvem a extração, produção e exportação dos minerais críticos e terras raras.
A exploração desses recursos gera impactos significativos nos locais onde ocorre. Toda mineração causa impactos ambientais, como comprometimento de recursos hídricos, e pressão econômica nos municípios, com aumento da pobreza, desigualdade e violência urbana.
O grande desafio é desenvolver modelos menos degradante, mas ainda assim haveria degradação por causa das escavações e mudanças em cursos de água, com efeitos socioambientais. Mesmo o Brasil tendo a segunda maior reserva de minerais em terras raras a sua participação se reduz a uma fração do que é extraído pela China.
O desenvolvimento da cadeia em minerais críticos representa cerca de 192 bilhões.
O projeto de lei 2780/2024 cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. No Congresso tramita um projeto de lei que visa estimular a pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação dos minerais com incentivos de R$7 bilhões do governo. Embora o país esteja ansioso pelos investimentos necessários para concretizar como potência em minerais críticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja desenvolver toda a cadeia de suprimentos, em vez de simplesmente exportar matérias-primas.
O Congresso Nacional aprovou um projeto de lei sobre minerais críticos que confere ao governo maior controle sobre as transações de mineração, incluindo acordos de fornecimento.
As mulheres são contratadas para limpar e recolher carvão perto da linha férrea na mina de Bailbandh, em Ranigunj. Elas costumam ser dependentes de seus maridos mineradores e acabam empregadas por razões humanitárias, após a morte deles. FOTO Arindam Mukherjee. BBC NEWS BRASIL
Alguns produtos fabricados com o uso de minérios críticos e de terras raras como Imãs superpotentes (neodímio, disprósio): presente em fones de ouvido, HDs, turbinas eólicas e motores de carros elétricos. Telas de smartphones, TVs e monitores (itérbio, térbio, europium): usadas para cores mais vivas e alta resolução. Lentes de câmeras e lasers (lantânio, praseodímio) Motores de veículos elétricos e híbridos usam imãs com terras raras. Turbinas eólicas dependem dessas ligas magnéticas para operar com eficiência.
Painéis solares também podem conter terras raras para melhorar o rendimento. Motores de veículos elétricos e híbridos usam imãs com terras raras. Turbinas eólicas dependem dessas ligas magnéticas para operar com eficiência.
Painéis solares também podem conter terras raras para melhorar o rendimento. Sistemas de orientação de mísseis Sensores e radares Equipamentos de visão noturna Satélites e comunicações militares. Máquinas de ressonância magnética (gadolínio), Luminóforos para diagnósticos médicos. Aplicações em tratamentos de câncer e estudos com radioisótopos.
Os minerais críticos se distinguem em diferentes recursos, como os insumos que podem ser utilizados para geração de energia, equipamentos eletrônicos e indústria de defesa.
Em 2025 foi produzido mais de 2 000 toneladas de terras raras no Brasil, enquanto a China extraiu cerca de 270 mil toneladas, mas o Brasil ainda tem uma participação incipiente no cenário mundial. A AMCHAM (câmara Americana de Comércio para o Brasil) busca dois caminhos para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras, em um cenário com predominância de exportação.
A potência do Brasil na exploração e disponibilidade não é suficiente, é necessário capacidade e expertise para transformação dentro do país e inserir as diversas demandas nas cadeias industriais produtivas agregando valor aos produtos. Soma-se a capacidade de atrair grandes investimentos para tornar a riqueza mineral em valor, tecnologia geração de novas profissões e desenvolvimento sustentável.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos, 15 elementos da série lantânio: Lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), Neodímio (Nd), Promécio (Pm), Samário (Sm) Európio (Eu) Gadolínio (Gd) Térbio( Tb) Disprósio (Dy), Hólnio ( Ho), Erbio ( Er) Tulio (Tm) Itérbio (yb) , Lutécio (Lu). Escândio (Sc) e ítrio(Y).
O carvão é a principal fonte energética comercial da Índia e o principal combustível para geração de energia e produção nacional de aço e cimento. Porém, a atividade tem desvantagens ambientais, por causa da emissão de fumaça e gases nocivos à saúde e que causam o efeito estufa. FOTO: Arindam Mukherjee. BBC NEWS
Recentemente a empresa Viridis Mining and Minerais obteve financiamento do governo brasileiro para um projeto de terras raras, à medida que o país busca explorar melhor as maiores reservas do mundo fora da China. (Globo) O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 77,5 milhões (US$ 15 milhões) com prazo de 16 anos para um centro de pesquisa e uma planta de demonstração recém-inaugurada do projeto Colossus.
O Brasil se junta aos EUA no investimento de recursos públicos em projetos de minerais críticos, em um momento em que os governos buscam diminuir o domínio chinês sobre as cadeias de suprimentos de materiais essenciais para a defesa e tecnologias avançadas. O Colossus, localizado em Poços de Caldas (MG), estava entre os 56 projetos pré-selecionados no ano passado para receber até R$ 5 bilhões do BNDES e da agência governamental Finep, com o objetivo de desenvolver as cadeias de suprimentos de minerais críticos do Brasil. ( Globo).
A linha de crédito do BNDES reduz a necessidade de financiamento via dívida para cobrir integralmente a construção do Colossus para cerca de US$ 280 milhões. A Viridis continua em negociações com o BNDES — bem como com instituições na Europa, Austrália e Canadá — para avançar na obtenção de crédito para a construção da planta em escala comercial, cujo início da produção está previsto para o segundo semestre de 2028.
Um futuro acorda de fornecimento com a produtora química europeia Solvay SA deve ajudar a abrir caminho para o apoio europeu. A Viridis e a Solvay pretendem assinar, até o final de setembro, um contrato definitivo de compra da produção futuro de concentrados mistos de terras raras leves e pesado.
O negócio reflete o movimento de países ocidentais para reduzir sua dependência da China no que diz respeito às terras raras utilizadas em ímãs potentes, essenciais para equipamentos de defesa, veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos avançados.
A unidade da Solvay é uma das maiores usinas de separação de terras raras fora da China e, segundo a empresa, uma das poucas no mundo capazes de processar todas as terras raras em escala industrial.
Países como Austrália, Estados Unidos e a África estão investindo na produção de terras raras, e “há apenas um número muito limitado de parceiros de offtake no mundo.