Segundo a tradição relatada por autores como Hesíodo, os titãs Prometeu e seu irmão Epimeteu receberam a missão de criar e equipar os seres vivos da Terra. Epimeteu distribuiu atributos físicos aos animais, como garras, asas, velocidade e pelagens espessas para defesa. Quando chegou a vez do homem, os recursos tinham esgotado: o ser humano ficou nu, frágil, sem armas naturais e em desvantagem perante a natureza
Desejando proteger e favorecer sua criação (que, em algumas versões, ele mesmo moldou do barro), Prometeu decidiu burlar a vontade de Zeus. Ele subiu ao monte Olimpo e roubou o fogo sagrado — associado à sabedoria de Atena e à técnica de Hefesto —, transportando-o escondido em uma tocha para os mortais.
Com o fogo, a humanidade pôde se aquecer, cozinhar alimentos, forjar metais, criar ferramentas e afastar os perigos da noite, tornando-se independente e dominante sobre o meio ambiente
A ira de Zeus foi implacável. Como punição por desaforar os deuses, Zeus ordenou que o ferreiro Hefesto acorrentasse Prometeu no alto de um rochedo no monte Cáucaso.
Diariamente, uma águia gigante visitava o titã para devorar o seu fígado.
Como Prometeu era imortal, o órgão se regenerava todas as noites, perpetuando um ciclo de sofrimento infinito.
Anos mais tarde, o herói Hércules (Héracles) abateu a ave com uma flecha e rompeu as correntes, libertando Prometeu de seu martírio
Muito amigo de Zeus, o ardiloso Prometeu ajudou o deus supremo a driblar a fúria de seu pai Cronos, o qual foi destronado pelo filho. O dom da imortalidade não o impediu de se aproximar demais do Homem, sua criação – de acordo com algumas histórias, ele o teria concebido com argila e água, depois que seu irmão esgotou toda a matéria-prima de que dispunha com a geração dos outros animais, e lhe pediu auxílio para elaborar a raça humana.
Ele concedeu ao ser humano o poder de pensar e raciocinar, bem como lhes transmitiu os mais variados ofícios e aptidões. Mas esta preferência de Prometeu pela companhia dos homens deixou o enciumado Zeus colérico. A raiva desta divindade cresceu cada vez mais quando ele descobriu que seu pretenso amigo o estava traindo.
O titã matou um boi e o fracionou em dois pedaços, ambos ocultos em tiras de couro; destas frações uma detinha somente gordura e ossos, enquanto a carne estava reservada para o pedaço menor. Prometeu tentou oferecer a parte mínima para os deuses olímpicos, mas Zeus não aceitou, pois desejava o bocado maior. Assim sendo, o filho de Jápeto lhe concedeu este capricho, mas ao se dar conta de que havia sido ludibriado, Zeus se enfurece e subtrai da raça humana o domínio do fogo.
É quando Prometeu, mais uma vez desejando favorecer a Humanidade, rouba o fogo do Olimpo, pregando uma peça nos poderosos deuses. Já outra versão justifica essa peripécia de Prometeu como uma forma de obter para a raça humana um elemento que lhe garantiria a necessária supremacia sobre os demais seres vivos.
Prometeu Acorrentado (pintura de Dirck van Baburen - 1595-1624)
O fato é que Zeus decidiu punir Prometeu, decretando ao ferreiro Hefesto que o prendesse em correntes junto ao alto do monte Cáucaso, durante 30 mil anos, durante os quais ele seria diariamente bicado por uma águia, a qual lhe destruiria o fígado. Como Prometeu era imortal, seu órgão se regenerava constantemente, e o ciclo destrutivo se reiniciava a cada dia. Isto durou até que o herói Hércules o libertou, substituindo-o no cativeiro pelo centauro Quíron, igualmente imortal.
Zeus havia determinado que só a troca de Prometeu por outro ser eterno poderia lhe restituir a liberdade. Como Quíron havia sido atingido por uma flecha, e seu ferimento não tinha cura, ele estava condenado a sofrer eternamente dores lancinantes. Assim, substituindo Prometeu, Zeus lhe permitiu se tornar mortal e perecer serenamente. Este belo mito foi transformado em célebre tragédia pelo poeta grego Èsquilo, no século V a.C, intitulada Prometeu Acorrentado.